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19 set

Tratamento inovador para esclerose múltipla chega ao Brasil

Novo tratamento de curta duração oferece mesmo efeito em comparação a quatro anos de tratamento convencional.

Portadores e familiares de portadores de esclerose múltipla receberam uma notícia positiva recentemente: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, no último dia nove, uma nova modalidade de tratamento para a doença. Trata-se da cladribina oral, um medicamento que, administrado por aproximadamente 20 dias, oferece um efeito de quatro anos no combate à doença.

O tratamento consiste na ingestão de quatro a cinco comprimidos da medicação pelo paciente em uma semana, sendo repetido no mês seguinte. Um ano depois, o procedimento é executado novamente. Nesse período – e depois da administração do remédio, o paciente é acompanhado clinicamente, para análise de eventuais efeitos colaterais e recaídas.

Desenvolvida pelo laboratório alemão Merck, a cladribina oferece uma reconstituição da resposta imune (IRT), com ação direta sobre os linfócitos B e T (células de defesa). Na esclerose múltipla, esses linfócitos atacam as células do sistema nervoso central e destroem a mielina e o axônio.

A cladribina tem se tornado cada vez mais popular mundialmente no tratamento de esclerose múltipla, dos tipos remitente-recorrente (EMRR) e segunda progressiva ativa (EMSP). Mais de 60 países já adotaram a medicação, inclusive os Estados Unidos. Por lá, foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA), agência que fiscaliza e regulamenta alimentos e remédios, em março passado.

Na União Europeia, a cladribina foi autorizada para tratamento da esclerose múltipla em agosto de 2017.

Benefícios e eficácia comprovada

A cladribina se tornou uma alternativa positiva ao tratamento de EMRR e EMSP por dois motivos. Primeiro: seu tratamento é muito mais curto que a maioria dos administrados atualmente, que exigem doses regulares e contínuas, até mesmo diárias, e, em alguns casos, por via venosa. Segundo: a terapia tem mostrado elevada eficácia.

Durante estudos clínicos nos Estados Unidos, 1.976 pacientes receberam o tratamento à base de cladribina, sendo acompanhados por um período médio de 4,8 anos. E os resultados foram animadores, apresentaram uma redução de 58% na taxa anual de surtos quando comparado a pacientes tratados com placebo. Além disso:

  • Após dois anos de tratamento, 81% dos pacientes estavam livres de surtos;
  • Houve uma redução de 33% no risco de incapacidade confirmada em três meses, comparados ao placebo;
  • Um menor índice médio de lesões cerebrais foi constatado.

Os pacientes submetidos ao tratamento com cladribina apresentaram, como reações adversas mais frequentes, superior a 20% dos tratados, infecções de trato respiratório, cefaleia (dor de cabeça) e linfopenia (baixo nível de linfócitos no sangue).

Um aspecto negativo na pesquisa foi o sensível aumento no índice de reações adversas graves em comparação com tratamento à base de placebo. Entre as quais, estão neoplasias malignas (0,27 a cada 100 pacientes por ano, contra 0,13 com placebo), herpes zoster (dois contra 0,2) e herpes oral (2,6 contra 1,2).

O que é esclerose múltipla?

A esclerose múltipla (EM) é uma doença crônica e considerada autoimune do sistema nervoso central, que acomete, sobretudo, a pessoas entre 20 e 40 anos – responsáveis por 70% dos diagnósticos. A doença pode prejudicar amplamente a qualidade de vida do paciente, resultando em dificuldades motoras e sensitivas.

A doença se divide em quatro tipos:

  • Esclerose Múltipla Remitente Recorrente (EMRR): mais comum, de 70 a 80% dos casos da doença, na qual ocorrem surtos súbitos que podem resultar em dificuldades para caminhar, desequilíbrio, dificuldade para controlar membros, entre outros. Os surtos podem durar por semanas.
  • Esclerose Múltipla Primária Progressiva (EMPP): representa 10% a 15% dos diagnósticos de esclerose múltipla. Nele, a pessoa não apresenta surtos, mas desenvolve sintomas e sequelas de maneira progressiva.
  • Esclerose Múltipla Secundária Progressiva (EMSP): afeta de 15% a 20% dos casos de esclerose múltipla. Essa forma é definida quando o paciente apresenta ao início surtos e remissões. Depois de algum tempo, por volta de 20 anos, a esclerose se torna progressiva. Há a piora do paciente, sem necessariamente haver surtos.
  • Esclerose Múltipla Progressiva com Surtos (EMPS). É a mais rara dentre as formas clínicas, representando aproximadamente 5% dos casos. Possui um início progressivo, com o agravamento para surtos consideráveis.

De acordo com estudo da Federação Internacional de Esclerose Múltipla, de 2015, existem 2,3 milhões de pessoas com a doença – 35 mil delas no Brasil.

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