Você sabia que há quase 60 mil pacientes no Brasil à espera de um transplante de órgãos? E quem vivencia o dia a dia de pessoas que necessitam de doação de órgãos sabe o quanto essa é uma situação delicada e repleta de tabus.
Por isso, este artigo traz sugestões para enfermeiros e demais profissionais de saúde que buscam incentivar esse tema tão importante.
Conheça a fila de transplantes no Brasil em números
De acordo com dados do Ministério da Saúde, divulgados em junho de 2022, o país tem 56.847 pacientes na fila de transplante de órgãos. Aliás, para se ter uma ideia, esse número é maior do que a população de aproximadamente 89,3% dos municípios do Brasil.
E tão assustador quanto isso é notar que essa fila cresceu consideravelmente entre agosto de 2019 e março de 2022: segundo o Ministério da Saúde, o aumento foi de 27% no período.
Esse crescimento é um reflexo direto da redução no número de doações de órgãos (algo que também tem ocorrido com doações de sangue) e, consequentemente, de transplantes. Conforme levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), apenas entre o primeiro semestre de 2021 e 2022, as doações de órgãos caíram 8,6% e os transplantes, 6,9%.
Ao mesmo tempo em que houve essas quedas, a taxa de mortalidade de pacientes na fila de espera aumentou entre 10% a 30%, segundo a ABTO.
Mas por que a doação de órgãos ainda é um tabu no Brasil?
Como sabemos, a morte é sempre um assunto delicado, sobretudo quando envolve algum familiar ou pessoa próxima. Por esse motivo, muitas vezes se torna um tema evitado, levando pessoas a não manifestarem a seus parentes o desejo de ser um doador de órgãos.
Nesse sentido, não é estranho que a negativa familiar seja uma das grandes barreiras para que órgãos não sejam doados no país. Segundo a ABTO, 43% dos pacientes com morte encefálica não tiveram seus órgãos doados por conta do veto de familiares.
De fato, há muitos fatores que também contribuem para essa negativa, como:
- Crenças religiosas;
- Crença na “reversão” do diagnóstico;
- Medo da manipulação do corpo do paciente;
- Desinformação sobre morte encefálica.
Contudo, profissionais de saúde, como enfermeiros, podem exercer um papel fundamental para esclarecer dúvidas e incentivar a doação de órgãos.
Três passos para o profissional de saúde estimular a doação de órgãos
Explique o que é morte encefálica à família do paciente
Morte encefálica é a parada total e irreversível das funções do cérebro. Porém é comum que, muitas vezes, os familiares dos pacientes desconheçam essa definição.
Desse modo, o profissional de saúde deve explicar sobre esse diagnóstico e, especialmente, sobre sua irreversibilidade. Aliás, logicamente esse é um momento que também exigirá muita empatia e compreensão para oferecer todo o suporte emocional necessário.
Ressalte que os órgãos do paciente podem salvar várias pessoas
Com apenas uma doação de órgãos é possível salvar até 20 vidas! Essa é uma informação extremamente importante para profissionais de saúde na hora de convencer familiares de pacientes a autorizarem a doação.
O objetivo é focar que, mesmo em um instante de tristeza, está nas mãos deles tomar uma decisão altruísta e, até mesmo, heroica. E o quanto a recuperação desses pacientes não apenas trará mais qualidade às suas vidas, mas a de seus familiares.
Explique quais órgãos podem ser doados pelo paciente
Caso a família demonstre o desejo pela doação, é importante explicar quais órgãos serão extraídos do paciente. Por exemplo, no caso de morte cerebral há a possibilidade de doação de órgãos e tecidos saudáveis, enquanto em mortes por parada cardíaca, geralmente tecidos e tendões, reforçando à família o respeito da equipe médica na manipulação do paciente.
Bônus: incentive as pessoas a manifestarem o desejo da doação de órgãos
O incentivo à doação de órgãos não acontece apenas no ambiente hospitalar ou após o óbito: é possível conversar sobre esse tema e incentivar as pessoas a demonstrem seu interesse em serem doadoras.
Para isso, o profissional da saúde deve se munir de informações cientificamente comprovadas para “desmistificar” questões e indicar maneiras de as pessoas “oficializarem” essa declaração, que pode ocorrer de duas maneiras:
A primeira delas é por meio de uma conversa com a família, na qual a pessoa comunica sobre sua vontade de ser doadora. Já a segunda é por meio da inscrição em sites que fornecem um “cartão” de doador de órgãos, como adote.org.br, ou pela inclusão dessa informação na nova carteira de identidade (RG) do país.
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